1 de março de 2001

1 Mar 2001: Má língua

O símbolo
Ainda não foi neste dia 27 que o Guê se endireitou. Inicialmente posto de pé para marcar o fim dos primeiros oitocentos anos e ser avistado de longe durante outros tantos, a letra gigante não durou mais do que os escassos dias que mediaram entre a pomposa inauguração e a primeira ventania. Foi talvez a imagem impressionante de um símbolo tombado sobre a relva que levou a Câmara a reclamar o estatuto de calamidade, ao que o Governo, mais preocupado com tragédias a sério - designadamente inundações, derrocadas e mortes - do que com contratempos figurativos, disse rapidamente que não. Passados dias, o Guê foi rodeado de andaimes e coberto de lona. Cidadãos com apurada sensibilidade viram naquilo uma instalação artística de requintado gosto, a simbolizar a auto-estima e a capacidade de renascer após a tempestade. Pura teoria. Afinal, três meses depois continua tudo na mesma. E as más-línguas dizem que já nem vale a pena mexer no estaleiro. Porque, no fundo, representa uma certa ideia da Guarda: altiva mas frágil; vistosa mas vazia. Se nunca mais põem remendo ao proclamado símbolo, querem o quê?
Galinha minha, galo teu
Ninguém faltou ao espectáculo "Guarda Milénio", quer-se dizer, nenhuma figura pública que se preze correu o risco de não ser vista no cortejo do galo. Ana Manso, a quase anunciada candidata ao poleiro, também percorreu as deambulações, embora com entusiasmo contido, não fosse ser apanhada a cobiçar a galinha da rival. E no fim declarou-se medianamente satisfeita com o Entrudo. Gostou mais foi da neve, que chegou à hora, ao gosto de uma imensa audiência e sem custos - e, claro, não foi organização do Pelouro da Cultura. Pelos vistos, nem toda a gente esteve disposta a pôr a máscara na noite de Carnaval.
Já se pode ir ao queijo
Uff! Finalmente terminaram as feiras do queijo! Já podemos ir comprá-lo às tais palhotas onde tudo se faz em descuido e contra a norma europeia. Ou seja: onde ele é bom, genuíno e a preço justo. O calibrado, higiénico, selado e normativo Serra da Estrela já vai a caminho das despensas dos ilustres. E agora que está desmontada a tenda, alguém vai ter que nos explicar muito bem aquela história, denunciada pela Associação de Agricultores, de o queijo é mais do que o leite, e de que este tanto vem de Trás-os-Montes como de Espanha. E se algum dos senhores ministros ou secretários de Estado levou desse nos caixotes da cortesia? Isso é lá coisa que se faça?!
«Terras da Beira»

Sem comentários: