15 de março de 2001

15 Mar 2001: Má língua

Pai, sou ministro!
Ninguém diria que daí a cinco dias o rapaz seria o provedor dos desfavorecidos, quer-se dizer, o ministro da Solidariedade. Estava-se em Seia e o então secretário de Estado da Formação fazia uma visita pachorrenta ao edifício do Centro de Emprego da cidade, sala por sala, corredor por corredor. Os jornalistas que o acompanhavam iam tratando de sacar entrevistas a quem por lá andava, com preferência para o fleumático presidente da Câmara, visto que o estatal giro dava em nada. Até que Paulo Pedroso deu pela caravana desfeita e lá resolveu aproximar-se dos repórteres: "Então, não querem falar comigo? Eu falo!". Pronto, temos homem. E dias depois teríamos ministro. Fazem-se apostas a como este também pegou no telefone e fez como o nosso saudoso Manuel Joaquim, vai para dez anos: "Pai, sou ministro!".
Eduardo, sou deputado!
Santinho Pacheco foi passar uns dias à Assembleia da República e justificou-se não pela necessidade de manter a contagem de tempo mas pela disponibilidade para defender os interesses do distrito. Louvados sejam os homens bons que se prestam a tal penitência! O mesmo não terá pensado o vizinho e eterno rival Eduardo Brito, que logo a propósito da ausência do novo deputado - e dos outros três - à abertura do Congresso do Queijo da Serra disse de Pacheco o que Maomé não dissera do toucinho. Nem o facto de quase à mesma hora estar o Presidente da República a tomar posse no Parlamento fez acalmar o autarca de Seia: "Mais um ou menos um não fazia lá falta nenhuma e aqui marcava a diferença!", disparou Brito. Claro que, aqui para nós, deu-lhe mais consolo ter feito este banzé do que se tivesse recebido o deputado Santinho. Para mais, quando o presidente da Câmara de Gouveia lhe retirara literalmente o tapete à pretensão de um novo hospital para a Serra da Estrela. Toma que também já almoçaste!, terá disto Eduardo para os seus botões. Só que não contava com o digestivo: anteontem, Santinho Pacheco deputado visitou Seia e o hospital. Chegou, viu e disse - "Seia precisa de um hospital novo". Isto promete, ai se promete!
Senhora, são rosas!
Todas as funcionárias da Câmara da Guarda tinham em cima da mesa uma rosa e um cartão: "No Dia da Mulher, um beijo de cumplicidade de outra mulher. Maria do Carmo Borges". Era 8 de Março e as mulheres que foram ao espectáculo do Ciclo de Jazz entraram por cortesia e foram presenteadas com a mesma flor. São rosas? São. Mas se forem votos não se abjurará o milagre.
Freguês, é queijo!
Uma queijeira juntava as encomendas de muitos fregueses certos, que este ano, como noutros, não falharam. Chega um mangas de Lisboa e diz ò minha senhora dou-lhe cem contos por todo o que tem aqui. Eram para aí duas arrobas e a mulherzinha caiu na tentação. Os clientes que viessem depois, até porque, como diz o povo, encomendas sem dinheiro esquecem ao primeiro ribeiro. Só que o cheque das cem mil coroas era mais falso do que o leite espanhol. Ficou sem o amanteigado e sem a massa. A ganhar se perde e a perder se ganha, diz o mesmo povo.
«Terras da Beira»

Sem comentários: