18 de outubro de 2001

18 Out 2001: Má língua

Outro alfobre
Para provarem que o microclima de Pinhel consegue fazer medrar alfobres tão bons ou melhores que os da Guarda, os socialistas da cidade-falcão conseguiram a proeza de ter três candidatos em três semanas. António Cavalheiro compareceu em primeiro lugar, mas um certo carácter dinástico da lista que quis apresentar inviabilizou a recandidatura – as autarquias são órgãos republicanos, não se cedem à família por dote. A verdade, porém, é que o «tabu» demorou tempo demais. E acabou por deixar o PS local à beira de um ataque de nervos. Posta de parte, num primeiro momento, a hipótese de ser Vítor Silva a avançar, foi-se à lista de precedências e tirou-se Armando Reis, dirigente distrital. Honra lhe seja: sabia que um dos cenários prováveis era a sua própria imolação política mas não virou o nome à luta, na falta de acordo entre os da terra. Fez ver a muito boa gente. E, como disse o porta-voz da concelhia socialista, Francisco Monteiro, «todas as notícias dadas ontem [terça-feira] foram correctíssimas», ou seja, o director do Centro de Emprego de Pinhel ia mesmo avançar. Mas a noite, essa boa conselheira, pôs de novo as peças todas em cima do tabuleiro. E Vítor Silva é o homem que se segue, com uma lista aparentemente livre, lá nos lugares do topo, da proverbial e arriscada «imprevisibilidade» dos independentes. E com estes avanços e recuos chega-se à véspera da data limite para a apresentação das listas a todos os órgãos autárquicos. Adivinha-se que o PS ainda vá ter mais umas noites sem descanso. E Pinhel transformou-se, assim, num dos «casos» a seguir com maior atenção. O que, a juntar ao caso de Celorico da Beira, não é propriamente bom para um partido que já teve mais de metade das câmaras do distrito e depois veio por aí abaixo, passando para o empate com o PSD há oito anos e acabando, há quatro, numa desvantagem de cinco contra nove. Resta saber a que alturas estão agora a colocar a fasquia.
As marcas não vendem
Na abertura da sede de campanha, Ana Manso confirmou a filosofia que está implícita ao marketing da candidatura: não há qualquer referência ao PSD, partido a que preside no distrito e pelo qual concorre à Câmara da Guarda. A imagem é ela e as mensagens são as promessas concretas de tudo quanto julga que a cidade e o concelho precisam. Nem uma setinha, sequer, indica a marca do capote partidário. É uma estratégia que não se pode considerar despropositada. E se Maria do Carmo Borges, dentro de dias, optar pela mesma filosofia e também esconder as rosas e os punhos dos seus próprios cartazes, poderemos concluir que num ponto já ganhámos todos: ambas as candidatas se mostrarão, finalmente, conscientes de que as marcas que representam já não vendem. Porque fizeram, em vinte e tal anos de alternância, mal que bastasse à Guarda. Renegá-las pode ser um bom começo...
«Terras da Beira»

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