4 de outubro de 2001

4 Out 2001: Má língua

O seguro paga o penso
A Assembleia Municipal da Guarda chegou, na Sexta-feira passada, ao enlevo máximo – capaz de fazer lembrar, com muita propriedade, os acalorados debates no parlamento de Taipei, onde sessão sim, sessão não, voam cadeiras sobre as cabeças. Aqui não chegaram a tanto, é certo, mas a discussão à volta do assunto da Quinta da Maúnça quase levou o deputado Pereira da Silva, do PP, e o vereador Carlos de Jesus, do PSD, a vias de facto. Só não se consumou a refrega porque todo o Executivo agarrou o colega edil, a tempo de evitar a esboçada troca de tabefes. A sessão esteve suspensa, os ânimos arrefeceram, houve pedido de desculpas – e tudo prosseguiu a bem, enlevando os digníssimos senadores nas importantes e frutuosas discussões a que é costume dedicarem-se no período de antes da ordem do dia. Só houve um aspecto que causou desconfiança: depois de reatada a sessão, toda a mesa reclamava mazelas, por causa do desaguisado ocorrido minutos antes. A um doía-lhe o pulso, a outro a canela, um terceiro protestava o arranhão uns quantos sacos de gelo faziam périplo junto de ilustres tornozelos. Será o seguro de saúde dos autarcas assim tão bom?
Balsemão traz a trouxa
Está explicada a designação que Ana Manso concedeu a Francisco Pinto Balsemão: mandatário político. O mesmo é dizer padrinho, protector, patrono e por aí diante. Um cargo que não existe mas que, dado o calibre da personagem, é o mais apropriado. Porque mandatário, mesmo, há-de a candidata ter de arranjar outro. Ou seja: alguém que trate das continhas, que a represente nos assuntos formais, que organize as listas e as entregue no dia aprazado. Ora, ninguém está a imaginar o patrão da SIC a dar-se a tais estorvos, com as chatices que já tem lá para as bandas de Carnaxide. Daí que o militante número um do PSD não tenha vindo fazer mais do que fazem todos os “veteranos” nesta altura, pelo país fora. Só que Ana Manso, manhosa, deu-lhe um título: mandatário... mas apenas político. A menos que até meados deste mês, data limite para fazer transferências, o magnata da comunicação mude o recenseamento para o concelho da Guarda, o que lhe permitirá exercer aqui a plenitude dos direitos políticos. Tudo é possível... até porque Balsemão também está a precisar de sangue novo. Balsemão, nome de aldeia ali próximo do Barracão – entenda-se.
Jet Set de cartaz
Uns espanhóis ligados a qualquer coisa transfronteiriça, que não vinham à Guarda há uns meses, ficaram espantados com os cartazes de Ana Manso. E parece que a apreciação que fizeram foi muito positiva. Com toda a autoridade e o olho clínico que nuestros hermanos já provaram ter nestas coisas, houve quem comentasse que parecida saída da capa da Hola!. E ainda eles nem tinham topado o resto da lista.
Como é que está o jogo?
Concorridíssimo, também em termos do Jet Set local, esteve o concerto do Dia Mundial da Música, na Catedral (na outra, não naquela em que estão a pensar). Na primeira fila aprumavam-se os notáveis do regime, assistindo, com apropriados modos, ao War Requiem. Mas nalguns casos a bota batia tão mal com a perdigota, que houve logo quem jurasse que os que eles tinham era um rádio com auricular – e estavam, com aquele arzinho, a seguir mas era o jogo do Sporting. Má língua do piorio, foi o que foi.
«Terras da Beira»

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