20 de novembro de 2001

20 Set 2001: Sete rotundas à cintura

Regresso ao cabo de três semanas de férias e encontro a cidade remexida, em torno de uma mão-cheia de novas rotundas, naquilo que vai ser, finalmente, a via de cintura à Guarda. Já nem vale a pena repetir que esta foi uma obra iniciada pelo avesso: a segunda fase, que agora se conclui, devia ter sido a primeira. Uma ligação de quatro faixas entre o acesso ao IP5 e a estrada para Castelo Branco – desviando todo o tráfego que não tem alternativa a atravessar a cidade – há anos que era urgente, mesmo que mais nenhuma tivesse sido construída. Mas decidiram começar o edifício pelo telhado, terminando primeiro o troço entre a Dorna e o Bairro dos Remédios, cuja conveniência se viu bem qual foi: pouca ou nenhuma. E continuará a sê-lo durante mais uns anos, até que a nova ligação ao IP5 pelo Zambito e pelo Alvendre fique pronta, completando a verdadeira estrada de circunvalação à Guarda.Mas mais do que este aparente desacerto na ordem das prioridades, o que espanta na obra agora meio desvendada é que todo o tempo de espera entre a primeira fase e a segunda não tenha sido aproveitado para corrigir erros de concepção que, se não eram perceptíveis há dez anos, já hoje o são de forma flagrante. As sete (sim: sete!) rotundas entre o Torrão e o Rio Diz poderão fornecer um campo vastíssimo de expressão artística, permitindo até escrever o nome da Guarda com todas as letras. Mas dentro de poucas semanas veremos tratar-se de um erro grosseiro de planeamento – qualquer uma delas podia ter sido substituída, de raiz, por passagens desniveladas, como seria recomendável numa via que, dentro de poucos anos, dará acesso a duas auto-estradas. E o pior é que nestas novas rotundas contam-se dois cruzamentos de má memória: o da Escola de São Miguel e o do Rio Diz. Não houve engenho para fazer túneis nem viadutos – vai tudo circular à roda do canteiro, sem estar, sequer, garantida a abertura em simultâneo de pontes para peões nem de sinalização luminosa.Chamam a isto Via de Cintura Externa mas uma prova de bom senso e agilidade mental seria rebaptizarem-na, já na inauguração, de Via de Cintura Interna ou VICIG. E anunciar, com rasgo estratégico, que a verdadeira VICEG está a ser aberta, a bom ritmo, quilómetros adiante. Porque dentro de poucos anos o melhor caminho entre o centro da cidade e a Estação será pela rotunda dos Galegos até ao nó do IP2 e daí por auto-estrada até ao nó de Pinhel, seguindo depois pela avenida de São Miguel. Apostamos já hoje a que será mais rápido?
«Terras da Beira»

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