28 de fevereiro de 2002

28 Fev 2002: Cansados do passeio

Nada há de mais confrangedor do que um partido em fim de ciclo. O PS vive nesse tempo. E tanto dá que as eleições não sejam obrigatoriamente favas contadas para o inimigo como que a desvantagem apontada pelas sondagens possa ainda sugerir uma recuperação em tempo de campanha. As hostes socialistas comportam-se já como um grupo de excursionistas às compras no último dia do passeio. Muitos já nem saem, sequer, do autocarro e aguardam ansiosos que a viagem termine, denotando cansaço e mau humor. É assim que o PS está. E as dúvidas, se as houvesse, dissiparam-se precisamente quando o partido tocou a reunir para «renovar a confiança na nova maioria». Este era o lema do encontro distrital, no passado Domingo, na Guarda. Mas redundou numa completa falta de fé. Pina Moura esforçou-se por explicar os oito trabalhos que tem para o distrito. E, aliás, justo que se diga que o antigo ministro das Finanças tem cumprido a tarefa de cabeça de lista com espírito de missão e singular preparação. Mas fê-lo para uma audiência adormecida e sem alma. E onde as ausências deram mais nas vistas do que as presenças. E onde o presidente da federação distrital, Fernando Cabral, teve tiradas esplêndidas, como aquela de perguntar se o PSD vai submergir as gravuras do Côa e retomar a construção da barragem. Além da oportuníssima preocupação, está aferido o grau de confiança que o até agora governador civil manifesta na renovação da nova maioria.
«O Interior»

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