5 de janeiro de 2012

Empobrecer por falta de exigência

Afinal, a moralização do programa «Novas Oportunidades», que tanto deu que falar na campanha eleitoral, tem como resultado o fecho do único centro que na Guarda dava algumas garantias de exigência, na medida em que era gerido por uma escola secundária, a Afonso de Albuquerque, e tinha como público-alvo aqueles alunos que não conseguiram, na devida altura, concluir o nono ano ou terminar disciplinas do décimo segundo. No fundo, a escola seguia o espírito da educação para adultos, muito diferente do esquema que concede, em escassos meses, uma certificação que para todos os efeitos equivale à habilitação mas nem sempre obedece a padrões de rigor. Basta conhecer minimamente algumas das instituições envolvidas.
Criticou-se – e bem – o aumento da qualificação por via estatística, conseguido à custa da emissão de diplomas de valor discutível. Questionou-se – e bem – a idoneidade de algumas entidades que certificam os conhecimentos. Mas eis que na Guarda a sacrificada é aquela que procurava conciliar modelos, programas e requisitos.
Há muitas maneiras de atingir o empobrecimento para o qual nos dizem que devemos estar preparados. A falta de exigência é uma delas. E mais grave que a falta de dinheiro.

[Jogo de Sombras, Rádio Altitude]

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