6 de janeiro de 2012

Uma causa comum

O futuro da Maternidade da Guarda deixou de ser, pelo menos, tema tabu ou matéria reservada aos ínvios caminhos das magistraturas de influência. Afinal, existe um problema. E falar dele não é tão contraproducente como às vezes pintavam (como se chamar a atenção para as coisas fosse a raiz dos fracassos).
Já ouvimos demasiadas explicações, em todos os ciclos de poder da última década ou década e meia, sobre a calma que era preciso manter enquanto as forças vivas se mexiam nos corredores do poder e tentavam defender-nos com discrição.
O resultado foi, nas mais das vezes, terem-nos passado ao lado estratégias, decisões e investimentos – que outros aproveitaram. Tudo isto com o silêncio e o desinteresse da comunidade, que é tão mau, senão pior, como a falta de liderança.
Ao lançar, ela própria, uma campanha em defesa da Maternidade, fazendo questão de alertar que o que está em causa é mesmo a continuidade do serviço, a Unidade Local de Saúde da Guarda toma uma decisão aparentemente sensata em vários planos.
Desde logo porque assume que existe um problema, que poderá significar a perda de uma valência cujo fim arrastaria muita da importância da Guarda na área da saúde.
Depois, porque enfrenta esse problema e com isso envolve todos aqueles que têm que sentir que a questão lhes diz respeito, a começar pelos profissionais de saúde. E também porque, assumindo-se parte reivindicativa, a unidade de saúde já não pode vista como estando outro lado da barricada.
Por fim, o mais importante: dá o exemplo e passa a ter voz para exigir tanto ou mais empenho das forças vivas e da sociedade em geral.

A fragilidade destas causas, que deviam ser colectivas, consiste normalmente num lavar de mãos: os políticos que decidam e os técnicos que cumpram, concordem ou não.
Agora parece que não será assim. E a menos que o entusiasmo esmoreça teremos pela primeira vez condições para nos unirmos à volta de algo.
Oxalá que, a partir do exemplo da Maternidade, surja uma saudável competição, a ver quem mais faz e o quê.
Porque a Maternidade é só um detalhe – mesmo sendo o detalhe primordial.
Para haver nascimentos na Guarda, é preciso haver quem nasça – e quem encontre na Guarda razões para ficar e decidir fazer nascer.
[Jogo de Sombras, Rádio Altitude]

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