22 de dezembro de 2012

Vitórias absolutas, derrotas relativas e um casamento em segundas núpcias ameaçado pelos ex

Por cinco se ganha, por cinco se perde. José Martins Igreja é o vencedor das ‘directas’ no PS e será candidato à Câmara da Guarda. Lavou, assim, a própria honra, depois de o partido lhe ter prometido e imediatamente negado o lugar de deputado e o cargo de governador civil, pelo menos. Lutou pelo ressarcimento e obteve-o, legitimado numa votação. Resta saber se, resolvida a questão que tinha com o partido, era mesmo ser candidato a Presidente da Câmara aquilo que queria e se já caiu na realidade daquilo que o espera (ou, pior para ele, daquilo que outros esperam dele e da circunstância).
Virgílio Bento, por seu lado, alguma coisa ganhou, perdendo. Não quis sair sem ir a jogo. Testou, por própria conta e risco, aquilo que julgava valer num terreno que outros tentavam decidir nas suas costas que não lhe estava destinado. Se tivesse perdido por muitos, talvez hoje devesse estar a escrever a carta de renúncia ao lugar de vereador. Assim, conseguiu congregar à sua volta metade do partido, e ninguém poderá dizer que essa conclusão provenha de uma teoria filosófica nem de um estudo de opinião - é o resultado dos votos (89 contra 94), numa abstenção quase nula.
Legitimou-se para o que resta de mandato e tornou-se, no actual executivo (Joaquim Valente incluído), naquele a quem menos poderão pedir responsabilidades por uma eventual derrota do PS nas próximas autárquicas.
Será determinante, mesmo para as expectativas do próprio candidato José Igreja, acompanhar os acontecimentos do próximo ano e compreender até que ponto continuará Virgílio Bento a querer ser o bombeiro de serviço e, principalmente, até que ponto o provável termo dessa sua propensão deixará a imagem da Câmara (e, no fim de contas, a imagem da «marca» PS no governo local) pior do que já está.
António José Seguro, secretário-geral e militante inscrito na Guarda, é que não se percebe o que quer: inventou as ‘directas’, lançou o partido nesta confusão e, na hora, nem se dignou vir votar.
Finalmente, José Albano: desta vez conseguiu ganhar na Guarda. E com a táctica perfeita: dando quase a ideia de que não teve nada a ver com o assunto. A verdade é que foram as suas tropas que ajudaram a dar a diferença a José Igreja, e o agora cabeça de lista à Câmara fica a dever-lhe isso. Cada candidato tentou pescar o melhor que pôde em todas as águas (Virgílio Bento também o fez) e na política dificilmente se obtêm apoios sem compromissos.

É, em suma, o que me parece. E também me parece que a actual situação do PS era a mais desejada pelo PSD. Mas igualmente me parece, até por isso, que vai ser longa e tumultuosa a definição do candidato social-democrata.
O partido da oposição na Câmara tem, desta vez, a vantagem daquilo que se pode assemelhar a um enlace em segundas núpcias entre duas facções quase sempre desavindas, protagonizado por Manuel Rodrigues (presidente da concelhia) e por Júlio Sarmento (presidente da distrital). Acordaram uma solução em que ambos dão a cara, Rodrigues como candidato à Câmara e Sarmento como candidato à Assembleia. Parece lógico e pode potenciar um novo ciclo.
Mas, como na maioria dos matrimónios em segundas núpcias, os ex não deixarão de lhes fazer a vida negra. Isso de que «quero é que a família seja mais feliz convosco do que o foi comigo» fica bem ser dito mas é quase sempre uma treta… Como se verá neste caso, provavelmente.

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